“Choro e Poesia” é uma célebre polca composta pelo flautista José Pedro de Alcântara, editada originalmente em 1907(inicialmente sob o título Dores do Coração). A obra alcançou um lugar eterno na história da música brasileira devido à sua primeira gravação em 1912 pela gravadora Odeon, onde o próprio compositor na flauta foi acompanhado de forma magistral por Ernesto Nazareth ao piano.
O Encontro de Dois Mestres
Nessa histórica sessão de gravação de 1912 na Odeon Records, os dois músicos registraram uma série de quatro faixas que se tornaram fundamentais para o desenvolvimento do choro:
- “Choro e Poesia” (de Pedro de Alcântara)
- “Linguagem do Coração” (de Joaquim Callado)
- “Favorito” (de Ernesto Nazareth)
- “Odeon” (de Ernesto Nazareth, em sua primeiríssima gravação)
A Transformação em “Ontem ao Luar”
Embora tenha nascido como uma polca instrumental, a melodia ganhou contornos ainda maiores anos depois: [6]
- A Letra: Em 1913, o poeta Catulo da Paixão Cearense escreveu versos para a melodia.
- O Novo Título: A canção foi rebatizada como “Ontem ao Luar”.
- Imortalização: A versão cantada estourou em 1918 na voz de Vicente Celestino e, posteriormente, foi regravada por grandes nomes como Marisa Monte, Carlos Galhardo e Fafá de Belém. [6]
Curiosidade e a Polêmica de “Love Story”
Na década de 1970, com o lançamento do filme norte-americano Love Story, especialistas e ouvintes brasileiros notaram uma imensa semelhança entre o tema internacional da produção e a melodia criada por Pedro de Alcântara mais de sessenta anos antes, o que gerou debates acalorados sobre plágio na época.