O mundo da música eletrônica não seria o mesmo sem a contribuição do Erasure, uma das duplas mais influentes e inovadoras da cena. Com mais de três décadas de carreira, eles não apenas ajudaram a moldar o som da música eletrônica dos anos 80 e 90, mas também continuam a ser uma referência quando o assunto é reinvenção e experimentação sonora. A trajetória do grupo, composta por Vince Clarke e Andy Bell, é uma verdadeira jornada de criatividade, experimentação e reinvenção, marcada por altos e baixos, mas sempre com uma paixão imutável pela música.
Os Primeiros Passos de Vincent Clarke e a Formação do Erasure
A história do Erasure começa, de maneira interessante, com o visionário Vincent Clarke. Nos anos 80, Clarke já era uma figura conhecida na cena musical britânica. Como membro fundador do Depeche Mode, ele foi o responsável por dar forma ao som que viria a caracterizar o grupo. Compôs alguns dos maiores sucessos iniciais do Depeche Mode, como a icônica “Just Can’t Get Enough”, que se tornou um hino do synth-pop.
Contudo, a permanência de Clarke no Depeche Mode foi curta. Em 1981, ele deixou a banda devido a diferenças criativas, mas não demorou muito para que ele encontrasse sua verdadeira identidade musical. Com a saída de Clarke, o Depeche Mode seguiu em frente, mas ele já começava a construir as bases para o que viria a ser o Erasure.
A transição de Clarke foi estratégica e crucial. Ao invés de permanecer dentro dos limites do estilo que ajudou a popularizar, Clarke se lançou em um novo projeto, explorando ainda mais o universo da música eletrônica. Foi assim que, em 1985, surgiu o Erasure, com a ideia de criar uma dupla focada em um som ainda mais acessível e cativante, ao mesmo tempo em que explorava novas formas de produção musical.
O Encontro com Andy Bell e o Início da Era Erasure
A formação do Erasure se concretizou quando Clarke conheceu Andy Bell em 1985, durante uma série de audições. Bell, com sua voz única e seu carisma, foi a peça que faltava para completar a fórmula da banda. Juntos, Clarke e Bell formaram uma parceria que seria indissociável ao longo de toda a trajetória do grupo. Bell, com seu vocal inconfundível e sua presença de palco energética, se tornou a alma do Erasure, enquanto Clarke, com sua habilidade técnica, guiou a banda através das novas sonoridades eletrônicas.
O primeiro single do grupo, “Who Needs Love Like That”, lançado em 1985, não teve grande sucesso no Reino Unido, mas marcou o início da jornada do Erasure. A música, que mesclava sintetizadores pulsantes com melodias de pop eletrônico, indicava claramente o caminho que a banda seguiria. O real sucesso viria com o lançamento de seu primeiro álbum, “Wonderland”, em 1986. Embora o álbum tenha sido um sucesso moderado, ele já apresentava as características que definiriam o Erasure nos anos seguintes: uma fusão de pop dançante com música eletrônica, riffs sintéticos e letras sobre amor e relacionamentos, que estavam no coração do estilo da banda.
O Sucesso com “The Circus” e a Consolidação no Reino Unido
Em 1987, o Erasure lançou “The Circus”, um álbum que consolidou o grupo como um dos mais importantes nomes da música eletrônica. Com uma sonoridade mais polida e refinada, o álbum alcançou a platina no Reino Unido e solidificou a posição do Erasure como uma das bandas pioneiras do movimento synth-pop que dominava o cenário britânico da época.
Músicas como “Victim of Love” e “The Circus” demonstraram uma maturidade criativa, com o uso de sintetizadores avançados e arranjos que se distanciaram dos clichês do gênero. A estética visual da banda, com seu estilo visual colorido e excêntrico, também começava a chamar a atenção, tornando-os ícones da cultura pop.
A Era de Ouro: “The Innocents” e “Wild!”
O Erasure estava imbatível no final dos anos 80 e início dos anos 90. Com o lançamento de “The Innocents” em 1988, o grupo chegou ao ápice do seu sucesso comercial. O álbum foi um marco não apenas pela qualidade das músicas, mas também pela popularidade internacional que o grupo alcançou. A faixa “A Little Respect” se tornou um clássico instantâneo, uma das maiores canções da banda e um hino da música eletrônica pop.
Em 1989, o Erasure seguiu com o álbum “Wild!”, que manteve a fórmula de sucesso, mas também explorou novas sonoridades e arranjos. O álbum trouxe hits como “Run to the Sun” e “Blue Savannah”, reafirmando a força da dupla no cenário musical.
Na mesma época, o grupo também iniciou uma série de covers e homenagens, incluindo o EP “ABBA-esque” (1992), uma coleção de covers do grupo ABBA. O EP foi um sucesso estrondoso e acrescentou ainda mais à fama do Erasure, consolidando sua posição não apenas no cenário eletrônico, mas também no mainstream.
Os Anos 90 e a Reviravolta Comercial
Nos anos 90, o Erasure continuou a fazer sucesso, mas a indústria musical começou a mudar. O álbum “Chorus” (1991) trouxe mais hits, como a faixa-título, e solidificou ainda mais sua base de fãs. “I Say I Say I Say” (1994), um álbum que representou uma abordagem mais madura da banda, trouxe ainda mais sucessos comerciais, incluindo o single “Always”, que se tornou um dos maiores hits da carreira do Erasure nos Estados Unidos.
No entanto, com o passar dos anos, a popularidade do Erasure começou a declinar. A mudança de tendências na música e o surgimento de novos estilos, como o grunge e o britpop, afetaram negativamente a recepção comercial de álbuns como “Cowboy” (1997). Apesar disso, a dupla nunca deixou de inovar e experimentou com novas sonoridades, sempre mantendo sua identidade intacta.
O Retorno e a Reinvenção no Século 21
Apesar dos desafios, o Erasure nunca abandonou a música e continuou a gravar e lançar álbuns. O álbum “Nightbird” (2005) representou uma reviravolta na carreira da dupla, com uma sonoridade mais suave e introspectiva, que foi muito bem recebida pela crítica. Em 2020, “The Neon” trouxe mais uma reinterpretação do som da banda, misturando os sintetizadores característicos com elementos mais modernos da música eletrônica.
Além disso, o Erasure sempre manteve uma conexão estreita com seus fãs, realizando turnês internacionais e celebrando sua base de fãs dedicada, com destaque para os shows vibrantes e energéticos que se tornaram sua marca registrada. No Brasil, especialmente, o grupo é um ícone cult, com uma legião de fãs apaixonados que continuam a apoiar a banda ao longo das décadas.
O Legado Duradouro do Erasure
A jornada do Erasure é um exemplo perfeito de como a música pode ser tanto inovadora quanto duradoura. Da fusão de sintetizadores e melodias pop aos seus experimentos com diferentes sons, a dupla conseguiu se reinventar sem perder sua essência. Ao longo dos anos, o Erasure se tornou uma das maiores influências da música eletrônica, deixando uma marca indelével em gêneros como o synth-pop, a música dance e a música eletrônica experimental.
Hoje, com mais de 35 anos de carreira, o Erasure continua a ser uma referência para novas gerações de músicos e fãs, provando que a verdadeira criatividade nunca envelhece.
Fique agora com o meu TOP 5 do Erasure:
001 – A Little Respect
002 – Love To Hate You
003 – Blue Savannah
004 – Always
005 – Sometimes