No final dos anos 1990, quando o cenário do rock parecia dominado pelo som polido do pós-grunge e a eletrônica começava a ganhar espaço, surgiu uma banda que desafiaria o status quo. Os Strokes, um grupo formado por cinco jovens carismáticos e talentosos de Nova York, trouxeram uma energia renovada ao rock, resgatando sua essência crua e autêntica.
A história da banda começa em 1998, com Julian Casablancas, Nick Valensi e Fabrizio Moretti compartilhando seu amor pela música enquanto estudavam na prestigiada Escola Preparatória Dalton. A eles se juntaram Nikolai Fraiture, amigo de infância de Casablancas, e Albert Hammond Jr., que o vocalista reencontrou após uma temporada na Suíça. Com essa formação consolidada — Casablancas nos vocais, Fraiture no baixo, Hammond Jr. e Valensi nas guitarras, e Moretti na bateria — os Strokes começaram a moldar o que se tornaria um dos sons mais icônicos do rock moderno.
Os Primeiros Passos: Uma Banda nascendo no Lower East Side
A estreia dos Strokes aconteceu em 19 de setembro de 1999, no Mercury Lounge, um lendário clube no vibrante Lower East Side de Nova York. Desde o início, ficou claro que a banda tinha algo especial: uma combinação irresistível de atitude punk, melodias nostálgicas e letras perspicazes que capturavam o espírito jovem da época.
Foi nesse palco que Ryan Gentles, empresário do Mercury Lounge, percebeu o potencial dos Strokes. Ele não apenas os ajudou a se estabelecerem nos circuitos locais, mas também os preparou para um salto maior.
O Impacto de “The Modern Age” e o Surgimento de “Is This It”
Em 2000, os Strokes lançaram seu primeiro EP, The Modern Age, uma explosão de três faixas que chamou a atenção de gravadoras de todo o mundo. Produzido por Gordon Raphael, o EP foi o início da parceria entre a banda e a RCA Records.
Logo após assinarem o contrato, veio o lançamento de seu álbum de estreia, Is This It, em 2001. Este trabalho é, sem dúvida, uma das maiores contribuições ao renascimento do rock nos anos 2000. Com faixas como Last Nite, Hard to Explain e a icônica Someday, o álbum capturou uma geração inteira, que encontrou na banda um reflexo de sua rebeldia, melancolia e esperanças.
A estética lo-fi do disco, combinada à produção simples e direta, foi um antídoto perfeito para a música excessivamente produzida da época. Não por acaso, Is This It é frequentemente listado como um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos, sendo aclamado pela crítica e estabelecendo os Strokes como os salvadores do rock.
Consolidação: “Room on Fire” e a Era de Ouro
O sucesso do primeiro álbum foi seguido pelo lançamento de Room on Fire em 2003. Se Is This It foi um fenômeno que anunciou os Strokes ao mundo, Room on Fire solidificou sua posição como líderes de uma nova geração de bandas. Faixas como Reptilia e 12:51mostraram uma banda mais confiante e madura, sem perder a essência que a tornou especial.
Durante essa época, os Strokes embarcaram em extensas turnês globais, tocando em grandes festivais e dividindo palcos com nomes lendários, como os Rolling Stones. No Brasil, os shows em cidades como São Paulo e Porto Alegre, em 2005, cimentaram sua base de fãs em terras sul-americanas.
Transformações: “First Impressions of Earth” e o Hiato
O terceiro álbum, First Impressions of Earth (2006), marcou uma virada na carreira da banda. Embora tenha produzido sucessos como Juicebox e Heart in a Cage, o disco trouxe uma sonoridade mais experimental e foi recebido com opiniões mistas pela crítica. A pressão do sucesso, combinada às personalidades intensas dentro do grupo, levou a um hiato em 2007.
Durante esse período, os membros exploraram projetos individuais. Albert Hammond Jr. lançou álbuns solo bem recebidos, enquanto Fabrizio Moretti se aventurou com sua banda Little Joy. Por outro lado, Julian Casablancas lançou Phrazes for the Young, um disco solo que revelou um lado mais eletrônico de sua criatividade.
O Retorno: “Angles” e “Comedown Machine”
Em 2011, após quatro anos de pausa, os Strokes lançaram Angles. Apesar das dificuldades relatadas durante a gravação, o álbum trouxe momentos marcantes como Under Cover of Darkness. Dois anos depois, lançaram Comedown Machine, que apesar de não alcançar o mesmo impacto dos primeiros álbuns, reafirmou a capacidade da banda de experimentar e evoluir.
“The New Abnormal”: Um Retorno Triunfal
O ponto alto da segunda fase da carreira dos Strokes veio em 2020, com The New Abnormal. O álbum, produzido por Rick Rubin, apresentou uma banda renovada, mas fiel às suas raízes. Com músicas como Bad Decisions e At the Door, o disco foi aclamado pela crítica, recebendo o Grammy de Melhor Álbum de Rock.
Esse trabalho não apenas marcou um retorno ao formato clássico dos Strokes, mas também os reconectou com uma nova geração de fãs, provando que sua relevância transcende o tempo.
O Legado Duradouro dos Strokes
Os Strokes não apenas definiram uma era; eles criaram um movimento. Seu som influenciou inúmeras bandas que surgiram no início dos anos 2000, incluindo Arctic Monkeys, The Killers e Franz Ferdinand.
Embora tenham enfrentado altos e baixos ao longo da carreira, sua persistência e paixão pela música garantem que continuem a ser uma força criativa no cenário musical. Com rumores de novos projetos no horizonte, é seguro dizer que os Strokes ainda têm muito a oferecer.
Seu impacto vai além dos números ou prêmios; eles representaram um renascimento cultural, um lembrete de que o rock pode ser cru, simples e ao mesmo tempo revolucionário.
Reflexões Finais: A Revolução Silenciosa
Os Strokes não precisam de grandes gestos para provar seu valor. Desde os pequenos clubes de Nova York até os maiores festivais do mundo, eles mostraram que o rock, mesmo em seus momentos mais simples, pode ser poderoso. Seu legado é um testemunho de como a música pode capturar o espírito do tempo, inspirando uma geração e desafiando convenções.
E assim, enquanto aguardamos o próximo capítulo de sua história, fica claro que os Strokes não são apenas uma banda; eles são uma revolução silenciosa que ecoará por muito tempo.