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A Surpreendente Ascensão de “I Believe In A Thing Called Love”

“I Believe In A Thing Called Love” do The Darkness é um daqueles fenômenos raros da música onde o inesperado se torna extraordinário. Lançada em 2003, a faixa não apenas se tornou um sucesso acidental, como também se transformou em um hino do rock dos anos 2000. A história dessa música começa com uma ideia quase absurda e se transforma em algo muito mais impactante e duradouro do que seus criadores poderiam imaginar. A canção, que tem uma mistura única de glam rock e hard rock, ficou gravada na memória do público, até mesmo sendo utilizada como tema de uma novela brasileira. Mas o que, exatamente, fez “I Believe In A Thing Called Love” se tornar um clássico instantâneo? Vamos mergulhar na jornada dessa faixa que chegou a ser mais do que uma simples piada musical.

A Formação do The Darkness e o Contexto dos Anos 2000

O começo do The Darkness remonta a meados dos anos 1990, quando os irmãos Dan e Justin Hawkins começaram a trabalhar juntos em uma banda que misturava rock pesado com um senso de humor irreverente. Eles foram acompanhados por Frankie Poullain no baixo e Ed Graham na bateria. Juntos, criaram uma sonoridade exuberante e carregada de influências do glam rock, uma era do rock marcada por exagero, brilho e performances teatrais. O som da banda se distanciava do grunge sombrio que dominava o final dos anos 90, recuperando o otimismo e a teatralidade das décadas anteriores.

Em 2003, o The Darkness lançou seu primeiro álbum, “Permission To Land”, e “I Believe In A Thing Called Love” se tornou sua faixa de abertura. A música é um claro reflexo do espírito da banda: exagerada, divertida e sem pretensão. Apesar de, à primeira vista, parecer uma brincadeira, a canção foi um marco do rock no início dos anos 2000, quando as grandes bandas de arena e o glam rock estavam tentando se reinventar para a nova geração de ouvintes.

A Criação de “I Believe In A Thing Called Love”

A gênese de “I Believe In A Thing Called Love” é um testemunho da abordagem irreverente do The Darkness à música. Segundo o guitarrista Dan Hawkins, a banda estava em uma discussão sobre como criar a música mais “estúpida” possível. Em entrevista ao jornal The Guardian, Dan compartilhou: “Estávamos conversando sobre: ‘Por que não escrevemos a música mais estúpida de todas?’”. A ideia era escrever uma canção tão absurdamente simples e direta que todos se sentiriam desconfortáveis ao tocá-la. Dan acreditava que a banda teria vergonha de executar a música, mas, ao contrário, “todos estavam cantando junto com o refrão.”

Esse momento de autossabotagem criativa deu origem a um dos maiores sucessos do The Darkness. A música, com sua batida acelerada, riffs pegajosos e letra exagerada, combina humor com um sentimento de autossuficiência rock’n’roll. Quando a banda terminou a gravação e escutou a faixa, a reação foi unânime: “É isso. Vai ficar.” E ficou.

O sucesso dessa faixa não foi apenas pela qualidade musical, mas também pela ousadia de seus elementos. Ao incorporar um estilo de glam rock revivalista e fazer isso com uma energia irreverente, o The Darkness criou algo novo a partir do antigo, trazendo a estética dos anos 70 para o novo milênio com um toque de comédia que conquistou um público jovem e descompromissado.

O Sucesso Acidental: Como a Música Ganhou Vida

Quando “I Believe In A Thing Called Love” foi lançada, a reação inicial foi mista. Muitos jornalistas e críticos estavam divididos sobre o tom irreverente e exagerado da música. O The Darkness não era a banda mais “séria” da cena musical, mas sua entrega teatral e o som vibrante atraíram atenção. E, surpreendentemente, o público adorou a música. Ela começou a ganhar popularidade em várias plataformas, e, ao longo do tempo, se espalhou como um fenômeno cultural.

A música ganhou destaque no Reino Unido, onde foi lançada como o primeiro single do álbum “Permission to Land”. Com seu refrão grudento e a energia vibrante, a música rapidamente se tornou um sucesso de rádio, alcançando posições de destaque nas paradas musicais. O vídeo musical, igualmente excêntrico e cheio de glamour, fez com que a canção se tornasse uma das favoritas do público, até mesmo influenciando uma geração inteira de jovens que estavam começando a se conectar com o rock novamente.

Mas talvez a maior surpresa tenha sido o impacto da música além das paradas musicais. “I Believe In A Thing Called Love” não foi apenas um sucesso de vendas; ela também entrou na cultura popular de maneira inesperada. Em 2004, a canção foi escolhida como tema de abertura para a novela “Da Cor do Pecado”, da Rede Globo, um dos maiores canais de TV do Brasil. O impacto da música foi tão grande que, mesmo após o fim da novela, ela continuou a ser lembrada e apreciada por uma geração inteira de brasileiros.

A Influência Duradoura e a Vida Após o Sucesso

Embora o The Darkness tenha vivido altos e baixos ao longo dos anos, com mudanças na formação da banda e desafios internos, “I Believe In A Thing Called Love” permanece sua música mais emblemática. A faixa continua sendo uma referência para as bandas de rock que buscam captar a energia descomplicada e a teatralidade do glam rock, enquanto incorpora elementos modernos de hard rock e metal.

O impacto da música também se reflete em sua relevância em diversos contextos culturais, incluindo seu uso em filmes, séries e, claro, sua presença em playlists de rock clássico. A música ainda é um marco na carreira do The Darkness, uma lembrança constante de sua capacidade de criar algo grandioso e memorável a partir de um impulso de pura diversão e criatividade.

Em 2021, a banda lançou seu álbum mais recente, reafirmando sua posição na cena musical. Apesar de não ter alcançado o mesmo nível de popularidade mundial que “I Believe In A Thing Called Love”, a banda continuou a cultivar um público fiel e a manter sua imagem excêntrica e extravagante.

O Legado de “I Believe In A Thing Called Love”

“I Believe In A Thing Called Love” é, sem dúvida, um dos maiores sucessos acidentais da história do rock. O The Darkness nunca planejou que a música se tornasse o fenômeno cultural que se tornou. O que começou como uma brincadeira dentro de um ensaio de banda acabou se transformando em um hit global que permanece relevante até hoje. Com sua fusão de humor, exagero e rock energético, a canção provou que, por mais que a música possa ser simples, o impacto emocional que ela gera é algo que transcende gerações.

A banda The Darkness pode ter começado sua jornada com o objetivo de criar algo “estúpido”, mas o que eles conseguiram criar foi um clássico moderno — uma música que continua a fazer as pessoas sorrirem e cantar em uníssono, anos após seu lançamento. E, no final das contas, isso é o que faz uma canção verdadeiramente imortal.


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