Descubra a trajetória do Deftones: de uma banda de garagem na Califórnia ao status de ícones do rock alternativo e inovadores musicais.
Poucas bandas conseguem transcender os rótulos de gênero e se estabelecer como entidades únicas na música contemporânea. O Deftones é uma delas. Originado na Califórnia no final dos anos 80, o grupo pavimentou seu caminho com uma mistura inimitável de agressividade, melancolia e experimentalismo. Com uma discografia que evoluiu constantemente ao longo das décadas, eles redefiniram o que significa ser uma banda de rock alternativo no cenário global.
Raízes na Cultura do Skate e no Punk
A história dos Deftones começa como muitas histórias clássicas de bandas de garagem: três amigos — Stephen Carpenter, Chino Moreno e Chi Cheng — que cresceram juntos, compartilhando uma paixão por música, skate e a energia rebelde do punk rock. A Califórnia nos anos 80 era um viveiro de culturas subversivas, onde a música alternativa e o skate compartilhavam uma relação simbiótica.
Carpenter, um skatista ávido, sofreu um acidente que o afastou temporariamente do esporte, mas abriu espaço para que ele mergulhasse profundamente na guitarra. Junto com Moreno e Cheng, eles começaram a ensaiar em garagens, compondo músicas influenciadas tanto pelo hardcore punk quanto por sons emergentes como o grunge e o metal alternativo.
Uma demo com 15 faixas começou a circular pelo underground californiano, chamando a atenção da Maverick Records, selo fundado por Madonna. Esse contrato pavimentou o caminho para o lançamento de seu álbum de estreia.
O Estreia e a Explosão com “Adrenaline”
Lançado em 1995, Adrenaline foi uma declaração de intenções: cru, visceral e repleto de energia juvenil. Gravado no icônico Bad Animal Studio, em Seattle, o álbum trouxe uma produção minimalista que capturou a essência ao vivo da banda.
Faixas como “Bored” e “7 Words” se tornaram hinos instantâneos, ajudados por videoclipes que ganharam rotação constante na MTV. Apesar de um início modesto em termos de vendas, o boca a boca e a intensa base de fãs que a banda cultivou em turnês levaram o álbum a conquistar o certificado de platina nos anos seguintes.
A singularidade do som do Deftones já era evidente: riffs pesados, mas melódicos, linhas de baixo pulsantes e o contraste dinâmico entre os vocais suaves e gritos viscerais de Moreno.
“Around the Fur”: Ascensão ao Mainstream
O segundo álbum da banda, Around the Fur (1997), trouxe um salto em produção e composição. Com hits como “My Own Summer (Shove It)” e “Be Quiet and Drive (Far Away)”, o álbum solidificou o Deftones como uma força criativa no cenário do rock alternativo.
Aqui, eles começaram a explorar mais profundamente atmosferas melancólicas e texturas sonoras, adicionando camadas emocionais que os diferenciavam de seus contemporâneos. O sucesso do álbum também levou a banda a se apresentar em grandes festivais, incluindo a Warped Tour e a Ozzfest, ampliando ainda mais sua base de fãs.
“White Pony”: O Marco Definitivo
Se Around the Fur foi o álbum que consolidou o Deftones, White Pony (2000) foi o que os elevou ao status de lenda. Considerado um dos álbuns mais influentes da história do rock alternativo, White Pony apresentou uma banda que estava disposta a arriscar tudo em nome da evolução artística.
Singles como “Change (In the House of Flies)” e “Digital Bath” mostraram um lado mais introspectivo e atmosférico da banda, enquanto faixas como “Passenger”, com participação de Maynard James Keenan (Tool), adicionaram um toque progressivo ao som.
O álbum recebeu disco de ouro e venceu o Grammy de Melhor Performance de Metal com a faixa “Elite”. Mais do que um sucesso comercial, White Pony tornou-se um marco cultural, influenciando uma geração de bandas e definindo o que o rock alternativo poderia ser no século 21.
Superação e Transformação: A Era Pós-Chi Cheng
A tragédia atingiu a banda em 2008, quando o baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma por anos antes de falecer em 2013. Apesar disso, o Deftones encontrou força para continuar, com Sergio Vega assumindo o baixo e ajudando a banda a entrar em uma nova fase criativa.
Os álbuns Diamond Eyes (2010) e Koi No Yokan (2012) são testemunhos dessa resiliência. Ambos os trabalhos mostraram uma banda que, apesar das adversidades, continuava a inovar e expandir seus horizontes musicais. Diamond Eyes trouxe faixas como “Rocket Skates” e “You’ve Seen the Butcher”, enquanto Koi No Yokan apresentou a épica “Tempest”, uma das músicas mais aclamadas da banda.
“Ohms” e o Legado Contínuo
Em 2020, o Deftones lançou Ohms, um álbum que não apenas celebrou suas raízes, mas também provou que eles ainda têm muito a oferecer. Com produção de Terry Date, responsável por alguns de seus discos mais icônicos, Ohms equilibra peso e melodia, entregando faixas como “Gênesis” e a faixa-título “Ohms”, que ressoam com intensidade emocional e criatividade.
O Deftones continua a ser uma das bandas mais respeitadas e influentes no cenário musical. Sua habilidade de atravessar décadas sem comprometer sua identidade é uma raridade em qualquer gênero.
Por que o Deftones é tão Especial?
O que torna o Deftones único é sua habilidade de misturar peso e delicadeza, brutalidade e beleza, de uma forma que poucas bandas conseguem. Eles não são apenas uma banda de nu-metal, embora tenham surgido dessa cena. Eles são uma entidade à parte, que constantemente desafia as expectativas e redefine o que significa ser uma banda de rock alternativo.
Seja pelo impacto cultural de White Pony, pela resiliência em face de tragédias ou pela constante evolução sonora, o Deftones permanece como um dos nomes mais importantes da música contemporânea.